Estilos de cozinha: colonial brasileiro

A partir desta coluna, falaremos sobre estilos e tendências. Começaremos falando sobre o Estilo Colonial Brasileiro.

Os estilos nascem em resposta aos grandes momentos históricos, variando de acordo com os contextos de cada país. É o produto cultural de sua época e é o que melhor expressa o aspecto histórico, econômico e social de um local. No Brasil, a sua pluralidade de culturas, portuguesa, indígena, africana, espanhola, alemã, italiana e japonesa, contribuíram em cada período histórico e deixaram heranças no nosso jeito de ser e nossa maneira de morar.

Nossas heranças culturais mais significativas remetem ao período colonial, sendo as igrejas, os conventos e a casa-grande os símbolos que contam a nossa história. O período colonial vai de 1565, com a fundação da cidade do Rio de Janeiro, até 1808, quando o Brasil passa à condição de Reino Unido. Neste período, não houve grandes mudanças na forma de projetar.

A partir de 1808, com a vinda da corte portuguesa e a abertura dos portos, chegaram as influências externas com estilos transplantados da metrópole para a colônia, que se adaptaram conforme as disponibilidades locais e culturais aqui encontradas. A denominação da palavra estilo colonial classificou uma condição política em um “quase estilo”.

O estilo de cozinha no período colonial brasileiro

No início, foi implantada no centro da residência. Mas, com problemas causados pelo excesso de calor e fumaça, foi para os fundos e sua parede final apoiava a chaminé do fogão liberando a casa para uma ventilação mais agradável.

A cozinha era uma indústria de alimentos produzidos nos próprios engenhos, que tinham galinheiro, curral, horta e pomar. Óleo e sal eram comprados em caixeiros viajantes. Um verdadeiro restaurante para alimentar a imensa família patriarcal, seus visitantes, agregados, empregados e os escravos.

Em seu espaço, funcionavam dois setores ao mesmo tempo. Um para limpeza, abate e antepreparo, e o outro para o preparo em si. Assim, a cozinha colonial suja e limpa funcionava com mão de obra escrava e predominantemente feminina. Algumas chegavam a ocupar quase um terço da casa, repleta de utensílios de vários tamanhos, como: gamelas, moringas, panelas de ferro, frascos, prateleiras e fogões a lenha.

Assim como no campo, a cidade também não oferecia água corrente. Poucas as que tinham poço próprio ou um pequeno aqueduto particular. Com isso, não havia muita diferença entre a cozinha rural e as dos centros urbanos. No final do século XIX, a cozinha vai apresentar algumas modificações com a abolição da escravatura, a importação de produtos manufaturados e a mão de obra não mais escrava e sim de imigrante branco.

No século XX, ainda só com a presença da mulher na cozinha, temos a própria dona da casa demonstrando suas prendas domésticas e uma ou outra “preta velha” remanescente da escravidão e que ficou com sua “sinhazinha”. A partir desse século, a cozinha passou a ter água corrente e pisos de ladrilhos hidráulicos. O fogão a lenha dos grandes centros e encontrados até hoje no interior do país foi substituído pelo fogão a gás.

Estilo colonial vintage: fogão a lenha e a sua chaminé, piso de madeira; mobiliário de madeira, couro e fibra; utensílios em barro, ferro e cobre .

Estilo colonial: ladrilhos hidráulicos

Os hábitos alimentares são modificados, incorporam-se licores, defumados e frutas cristalizadas. Os costumes à mesa se afrancesam, saem as peças toscas e moringas, que eram viradas pelo gargalo às bocas dos senhores de engenho, aumentam-se o uso de copos, taças e talheres específicos e refinados.

estilo colonial contemporâneo: no lugar de azulejos portugueses, temos azulejos artesanais; no lugar de alguns gabinetes, temos armários em madeira com vidro e nichos com prateleiras; no lugar do mármore, temos o granito preto; no lugar do fogão, temos os cooktops; no lugar da mesa de madeira colonial, temos a bancada-ilha em granito preto para o preparo dos alimentos, refeições e o social.

Com os novos materiais, a cozinha não é mais tão isolada, é próxima aos quintais, porém dentro da casa, de fácil acesso à sala de jantar das famílias ricas ou da copa das casas de classe média.

“A própria culinária permanece um misto de portuguesa, africana e indígena, num verdadeiro sincretismo alimentar, por vezes incorporando outras influências: feijão americano, arroz asiático, couve européia, laranja-da-pérsia, temperadas com a africana pimenta-malagueta e sobras suínas dos chiqueiros locais cozidas na suculenta e substancial feijoada.” (Bittar e Veríssimo, p. 111, 1999).

Bibliografia: 500 Anos da Casa no Brasil / Francisco S. Veríssimo e William S.M. Bittar.- Rio de Janeiro: Ediouro, 1999 e Guia de Arquitetura Colonial, Neoclássica e Romântica no Rio de Janeiro / Centro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro; organizador: Jorge Czajkowski. Rio de Janeiro: Casa da Palavra: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 2000.

Imagens: Casa & Jardim, Casa Cláudia, Casa Rui Barbosa (RJ), Jornal O Globo (com ilustrações de Francisco Veríssimo) e Azulejos (Web).

 

Sheyla-Sanches-

Sheyla Sanches

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